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As sociedades humanas nem sempre foram capazes de compreender e controlar as diferentes situações que as conduziram à devastação dos seus povos. Pior que isso é quando se conhecem as origens dos problemas, fingimos ignorar a forma de os evitar e acabamos somente a lamentar os seus efeitos.

Furacões gigantescos, incêndios catastróficos, inundações devastadoras, infindáveis secas. Eis algumas das crescentes calamidades naturais a que o mundo se vem habituando, como se se tratasse de uma inevitabilidade que ninguém pode minorar.

Pessoas, animais, casas e todo o tipo de bens são arrasados pela magnitude destes fenómenos naturais, causando perdas irrecuperáveis, mas que nem assim demovem alguns responsáveis mundiais da necessidade de controlar o aquecimento global, provocado pelas grandes indústrias poluidoras.

A destruição recente de que foram e estão a ser vítimas algumas regiões dos Estados Unidos da América, provocada por algumas destas ocorrências, mais parece um castigo divino à decisão de Donald Trump em ter rompido com as regras essenciais à preservação do nosso planeta, retirando o seu País dos acordos de Paris que, no entanto, foram mantidos por uma esmagadora maioria de outros países. Pena é que ele não sofra directamente as consequências das suas decisões e seja o seu próprio povo e os povos de todo o mundo, a acarretar com as vidas e os prejuízos causados pelo desgaste da nossa atmosfera, uma vez que os EUA têm uma elevada cota de culpa neste processo poluidor que nos afecta a todos.

Mas, e infelizmente, não são apenas estes factos naturais, cuja irresponsabilidade humana e o lucro financeiro aumentam a sua progressão, os únicos flagelos que atormentam a humanidade.

A criação de condições para uma guerra em grande escala, se é que podemos esquecer outras guerras particulares (…), aumenta a cada dia, na proporção das provocações de irresponsáveis beligerantes.

Nem no tempo da “Guerra Fria” se assistiu a um tal nível de declarações ameaçadoras entre as partes com conflitos pendentes, como aquelas que têm sido proferidas pelos dirigentes americano e o norte-coreano. E, em conformidade com esta guerra de palavras, a corrida às armas tem continuado a um ritmo assustador, quer entre as duas partes, como entre os países mais importantes da região.

Quem atira primeiro é a pergunta que todos fazemos porque, a resposta aos resultados, já todos sabemos!..

Assim, se todos sabemos que uma guerra entre norte-coreanos e americanos, face aos níveis de armamento atómico que possuem e à amplitude mundial que o conflito tomará, ocasionará uma enorme tragédia para a humanidade, porque se insiste nesta direcção?

Este conflito permanente entre as duas Coreias, divididas pelo célebre “paralelo 38” e que opõe desde sempre os dois países, até mesmo após a guerra aberta que se instalou entre eles, nos anos 50/53, em que os bombardeiros americanos metralharam com napalm todas as cidades e vilas norte-coreanas, matando dezenas de milhares de civis, é ainda um produto das ideologias e práticas políticas que marcaram os tempos da “Guerra Fria”, entre os EUA e a antiga União Soviética.

Apoiados sobretudo pela China e, de alguma forma pela Rússia, os dirigentes da metade norte da província coreana cultivaram um ódio permanente à Coreia do Sul e aos Estados Unidos, pelo seu apoio aos coreanos do Sul, pela destruição maciça que causaram durante a guerra e por representarem os valores da economia capitalista diabolizando, entre a sua população, este seu principal adversário.

Se bem que os EUA nunca desistissem do propósito de apear o regime norte-coreano, a “paz podre” e o “equilíbrio do terror”, vivido ao tempo das duas superpotências e o progressivo afastamento da China da União Soviética, poderosa vizinha da Coreia do Norte, acabou acalmando essas intenções.

Desde há bastantes anos que os norte-coreanos vêm desenvolvendo a sua tecnologia nuclear com fins militares e, toda a gente, sabia disso!.. A ONU neste, como em tantos outros conflitos, limita-se a recomendações e propostas que os seus membros permanentes controlam, adiam e anulam! Condenar a Coreia do Norte pela produção de armas atómicas é esquecer que tal não é um caso inédito!…

Mais sanções económicas promovidas pelos EUA, atiçam o tresloucado (???) dirigente norte-coreano e a população do seu País a acreditar que todos os males de que padecem serão resolvidos aniquilando hipoteticamente o seu inimigo principal.

Uma iniciativa de ataque americano à Coreia do Norte resultaria numa catástrofe com pesadas consequências para todo o mundo, incluindo os EUA.

A solução para este imbróglio só pode estar numa mediação promovida pela China, principal potência da região, promovendo a aceitação da existência e da diferença entre uns e outros

A não ser assim arriscamo-nos que, um dia, ao olharmos para o planeta que habitamos, digamos: “E tudo o vento levou”!

Luis Barreira, Ex-Director-Geral da Radio Latina e Publilatina, fundador da CCILL, CCPL e colaborador de vários jornais das comunidades portuguesas

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